O Fim do Lucro Presumido? Como a Reforma Tributária afeta o regime
O Lucro Presumido não vai acabar, mas vai perder a sua principal vantagem: a cumulatividade com alíquotas baixas. Entenda por que empresas de serviços precisam refazer as contas urgentemente.
Adenir Grik|- 27/02/2026|
- 8 min de leitura
O Lucro Presumido vai deixar de existir?
Não, o regime do Lucro Presumido continuará existindo para a apuração do IRPJ e da CSLL (impostos sobre a renda). No entanto, para os impostos sobre o consumo, a lógica muda drasticamente. Hoje, empresas no Lucro Presumido pagam PIS, COFINS e ISS de forma cumulativa (alíquotas baixas, mas sem direito a crédito). Com a Reforma Tributária, todas as empresas do Lucro Presumido passarão para o regime não cumulativo do IBS e da CBS, pagando a alíquota cheia (estimada em 26,5%), mas ganhando o direito de tomar crédito sobre suas compras e repassar crédito para seus clientes.
O fim da "zona de conforto" dos serviços
Por décadas, o Lucro Presumido foi o "porto seguro" das empresas de serviços no Brasil. Clínicas médicas, escritórios de engenharia, agências de marketing e empresas de TI usavam esse regime para pagar uma carga tributária total de impostos sobre consumo (PIS, COFINS e ISS) que raramente passava de 8,65%.
A Reforma Tributária destrói essa dinâmica. O objetivo do novo sistema (IBS/CBS) é unificar a tributação de bens e serviços sob uma única alíquota padrão, eliminando os regimes cumulativos que distorciam a concorrência.
Na prática, isso significa que a empresa que hoje paga 8,65% passará a pagar cerca de 26,5%. O salto na carga tributária bruta é assustador, mas a análise não pode parar por aí.
Lucro Presumido: Antes e Depois da Reforma
| Regime de Consumo | Modelo Atual (PIS/COFINS/ISS/ICMS) | Modelo Novo (IBS/CBS) |
|---|---|---|
| Apuração | Cumulativo (paga sobre o faturamento bruto, sem créditos). | Não Cumulativo (paga sobre o valor adicionado, com créditos). |
| Alíquota Média (Serviços) | PIS/COFINS (3,65%) + ISS (2% a 5%) = Máx 8,65%. | Alíquota Padrão (estimada em 26,5%). |
| Transferência de Crédito | Não transfere crédito de PIS/COFINS para o cliente. | Transfere crédito integral de IBS/CBS para o cliente PJ. |
A salvação pelo Crédito Tributário
Se a alíquota sobe para 26,5%, como as empresas não vão quebrar? A resposta está na **não cumulatividade plena**.
No sistema atual, a empresa do Lucro Presumido não pode descontar o imposto que pagou na conta de energia, no aluguel, na compra de computadores ou na contratação de softwares. Com o IBS/CBS, **tudo o que a empresa comprar para a sua operação gerará crédito tributário**. A empresa pagará 26,5% apenas sobre o valor que ela adicionou (o seu lucro bruto), e não sobre o faturamento total.
Visão Ampla
O Lucro Presumido é apenas uma das variáveis afetadas. Entenda como o planejamento tributário preditivo mapeia todos os regimes para encontrar a carga ideal.
Leia: Planejamento Tributário Preditivo: Como se antecipar à Reforma →O abismo entre B2B e B2C
A grande divisão que a Reforma Tributária cria no Lucro Presumido não é pelo tamanho da empresa, mas sim por **quem é o cliente dela**.
Empresas B2C (Venda para o Consumidor Final)
Se você tem uma clínica médica ou escola (B2C), o seu cliente final (pessoa física) não toma crédito de imposto. Portanto, o aumento da alíquota para 26,5% terá que ser repassado no preço final ou absorvido pela sua margem de lucro. Este é o setor que mais sofrerá.
Empresas B2B (Venda para outras Empresas)
Se você tem uma agência de marketing ou consultoria de TI (B2B), você cobrará 26,5% na nota, mas o seu cliente (empresa) usará esse valor integralmente como crédito para abater os impostos dele. Para o cliente PJ, o seu serviço não ficou mais caro; ele ficou neutro.
Essa dinâmica forçará milhares de empresas de serviços B2C a repensarem seus modelos de negócio, enquanto as empresas B2B terão uma transição muito mais suave, desde que saibam precificar corretamente.
Plano de Transição para o Lucro Presumido
| Ação Estratégica | Objetivo na Empresa | Prazo Recomendado |
|---|---|---|
| Mapeamento de Insumos | Identificar todas as despesas da empresa que passarão a gerar crédito (aluguel, energia, software, etc). | Janeiro/2026 |
| Simulação de Reprecificação | Calcular o novo preço de venda necessário para manter a margem de lucro com a alíquota de 26,5%. | Fevereiro/2026 |
| Revisão de Regime (Planejamento 2027) | Comparar matematicamente se o Lucro Real passa a ser mais vantajoso que o Lucro Presumido. | Novembro/2026 |
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Solicitar Simulação de Impacto →Contabilidade Consultiva: Além do "Gerar Guias"
Até 2025, a contabilidade de uma empresa no Lucro Presumido era extremamente simples: bastava aplicar o percentual sobre o faturamento e gerar a guia. A partir de 2026, o Lucro Presumido exigirá uma gestão de notas fiscais de entrada tão rigorosa quanto a de uma indústria no Lucro Real.
A Grik Contabilidade atua com robôs fiscais que capturam 100% das suas notas de despesa na nuvem, garantindo que nenhum centavo de crédito de IBS/CBS seja perdido por falta de lançamento.
A Estratégia Grik para o Lucro Presumido
- Auditoria de Despesas: Revisamos seu DRE para identificar tudo o que não gerava crédito antes, mas passará a gerar na Reforma.
- Engenharia de Preços: Simuladores de cenário para ajudar você a explicar para o seu cliente B2B que o aumento da nota é, na verdade, um crédito para ele.
- Comparativo Real vs Presumido: Como a apuração do consumo ficará igual para ambos, calculamos se não é a hora de migrar sua empresa para o Lucro Real e economizar no IRPJ.
Dúvidas Frequentes sobre o Lucro Presumido
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