Reforma Tributária para o Agronegócio: Quanto Vai Sobrar na Safra?
Produtores rurais, cooperativas e agroindústrias dos Campos Gerais precisam entender o impacto do IBS e CBS nas operações agrícolas — e o que fazer para proteger a rentabilidade da safra.
Adenir Grik|- 15 de Janeiro de 2026|
- 13 min de leitura
Como a Reforma Tributária afeta o agronegócio em 2026?
O agronegócio mantém imunidade sobre exportações no novo sistema (IBS e CBS). Mas operações internas, insumos e serviços passam por mudanças. A alíquota de teste começa em 2026. Cooperativas e produtores rurais PF precisam revisar seus processos de emissão de NF e gestão de créditos tributários antes que a transição avance.
O agronegócio e a Reforma Tributária: o que muda e o que permanece
O setor agropecuário brasileiro tem uma relação histórica com a tributação diferenciada. A imunidade constitucional sobre exportações de produtos primários, o diferimento do ICMS nas operações internas e as isenções sobre insumos agrícolas são conquistas que o setor defende há décadas.
A boa notícia é que a Reforma Tributária preservou a imunidade sobre exportações. O IBS e a CBS não incidem sobre exportações de produtos agropecuários — assim como o ICMS e o PIS/COFINS não incidiam. Essa é uma garantia constitucional que não muda.
O que muda são as operações internas, os insumos e os serviços. E é aqui que produtores rurais, cooperativas e agroindústrias dos Campos Gerais precisam estar atentos — especialmente em municípios como Carambeí, Castro e Tibagi, onde o agronegócio é a principal atividade econômica.
Impacto da Reforma Tributária nas principais operações do agronegócio
| Operação | Tributação Atual | Após Reforma | Impacto |
|---|---|---|---|
| Exportação de grãos | Imune (ICMS, PIS, COFINS) | Imune (IBS, CBS) | Neutro — imunidade mantida |
| Venda interna de grãos | ICMS diferido/reduzido | IBS com alíquota reduzida | Análise caso a caso |
| Insumos agrícolas | ICMS isento, PIS/COFINS isento | IBS/CBS com alíquota reduzida | Possível aumento de custo |
| Máquinas e equipamentos | IPI reduzido, ICMS diferido | IBS/CBS com crédito integral | Melhora no crédito |
| Arrendamento rural | ISS ou ICMS conforme caso | IBS sobre serviços | Necessita análise |
Insumos agrícolas: o ponto de atenção mais crítico para produtores rurais
Hoje, sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas e rações têm isenção de ICMS e de PIS/COFINS na maioria dos estados. Com a Reforma, esses produtos passam a ter alíquota reduzida de IBS e CBS — não isenção total.
A diferença entre isenção e alíquota reduzida pode parecer pequena, mas para um produtor que compra milhões de reais em insumos por safra, o impacto no custo de produção pode ser significativo. O Comitê Gestor do IBS e da CBS ainda não definiu as alíquotas reduzidas para insumos agrícolas — esse é um ponto que o setor acompanha com atenção.
Atenção: Cooperativas e a Reforma
Cooperativas agropecuárias têm estrutura tributária complexa que precisa de análise específica. A Reforma mantém o tratamento diferenciado para operações com cooperados, mas as operações com terceiros passam pelo sistema geral do IBS e CBS. Cooperativas que não fizerem o diagnóstico podem ter surpresas no fluxo de caixa.
O que produtores rurais e cooperativas devem fazer agora
A preparação para a Reforma Tributária no agronegócio envolve ações específicas para cada perfil de produtor:
- Produtores rurais PF: revisar o processo de emissão de Nota Fiscal de Produtor Rural e entender como o IBS incidirá sobre vendas internas.
- Produtores rurais PJ: fazer o diagnóstico de créditos de ICMS acumulados e planejar o aproveitamento antes da transição.
- Cooperativas: mapear as operações com cooperados e com terceiros para entender o impacto diferenciado do IBS e CBS.
- Agroindústrias: simular o novo cenário de créditos sobre insumos, energia elétrica e serviços para calcular o impacto na margem de processamento.


